Mediação de Conflitos

Bullying

Dia Mundial do Combate ao Bullying. ✅
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Falamos de Bullying quando um/a ou mais alunos/as decidem agredir sem razão outro/a colega durante períodos longos, com uma ou mais formas de agressão (Pereira, 2008).

Ou seja, o Bullying é o fenómeno típico de violência entre pares pelo qual alguém (habitualmente uma criança ou um adolescente) é sistematicamente exposto/a a um conjunto de atos agressivos (diretos ou indiretos), que ocorrem sem motivação aparente, mas de forma ​intencional e deliberada, com o intuito de causar sofrimento e mal-estar ao outro e protagonizado por um/a ou mais agressores. 

Um ato agressivo não é necessariamente um ato de bullying. A agressividade é um ato violento de qualquer origem que ocorre pontualmente, ou seja, pode ser físico, psicológico, no entanto não tem o carácter de periodicidade e regularidade e pode não ser exercido continuamente.

Existem vários tipos de bullying, nomeadamente o físico, o psicológico/verbal/social, o cyberbullying e o bullying sexual.

Na escola o bullying pode ocorrer em diversos contextos, como no recreio (locais mais escuros, menos frequentados, menos vigiados pelos adultos), na cantina/bar – fila da cantina (muitas pessoas, há confusão e torna-se difícil de identificar o autor) nos corredores e escadas (há confusão e são locais em que situações de agressão são encaradas como brincadeira, não sendo identificadas), nas salas de aula (através de papéis, mensagens, bilhetes ou comentários depreciativos) e nas casas de banho (local pouco vigiado, onde as pessoas não vão em grupo e a vítima não tem como se defender, nem ninguém em quem se apoiar).

O bullying tem essencialmente 3 tipos de intervenientes: a vítima, o/a agressor/a e a testemunha. As testemunhas e as vítimas têm um papel fundamental para quebrar este fenómeno nas escolas!

Fale connosco para saber mais.

Identificaste-te com a nossa última publicação? Já passaste ou estás a passar por esta situação?

Fala com um adulto! Pede ajuda aos teus pais, aos teus professores, aos funcionários e/ou a outras pessoas significativas para ti. 

Pensa por ti! Não te deixes influenciar, se achas algo de errado não o faças só porque os teus colegas o fazem. Uma brincadeira só é uma brincadeira enquanto todos se estão a divertir. Se não te estás a divertir ou alguém não se está a divertir, deixou de ser uma brincadeira.

Segue os teus instintos! Pede ajuda, fala com quem achas que te compreende e sabe ajudar, defende-te! Tens o direito a estar com os outros sem sentir medo!

Mostra confiança na presença de outros colegas! Tu tens valor e ninguém merece sofrer e deves sentir-te bem contigo mesmo.

A equipa da OffOn está aqui para te ajudar a lidar com esta situação!

Relembramos que estamos no mês da prevenção do Bullying! Há muito a fazer com os intervenientes do bullying.  Leia para saber mais.

Como podemos ajudar a vítima nestas situações? Podemos ajudá-la a afirmar as suas ideias, os seus pensamentos, as suas emoções e tudo o que acha correcto.

  • Promover a possibilidade e de criar e fomentar boas relações de amizade, que lhe permitam ter um suporte social de referência a diversos níveis.
  • Devem ser criadas estratégias que permitam que não ande sozinha e assim evitar estar em situações de potencial perigo.
  • Deve evitar locais isolados e treinar a capacidade de ignorar comentários e piadas dos/as agressores/as, devendo, contudo, procurar/ contar a um adulto que a situação persiste.  
  • Com o/a agressor/a deve ser feito um treino ao nível do seu desenvolvimento social, compreender o alcance dos seus direitos e dos seus deveres, o espaço dos outros e o (com)viver em sociedade de forma sã.
  • Deve ser explicado o sofrimento, o que causam nos outros, salientando as consequências dos seus atos. A responsabilização é um processo fundamental e definitivo que facilmente se dá, quando é bem conduzido através de estratégias como a empatia e a escuta ativa. Devemos ajudá-lo/a a ouvir e aceitar as opiniões dos outros, a aceitar e a seguir regras, a canalizar a sua força para outras atividades e ensiná-lo/a a estar com outros colegas de forma saudável.

As testemunhas não devem ser esquecidas.

Estas deverão ser o primeiro suporte para a vítima. Devem ouvir e apoiar os seus desabafos, as suas confissões. Não devemos menosprezar o relato de alguém que assiste a situações de bullying. Devemos incentivá-la a falar com um adulto (pais, professores, funcionários, pessoas significativas ), pedir ajuda para a vítima e ajudá-la a falar da situação.

Para os pais existem alguns sinais que podem ajudar a compreender se o/a seu/sua filho/a é vítima de bullying.

  • Apresenta seguidamente dores de cabeça, pouco apetite, dor de estômago, tonturas, sobretudo de manhã?
  • Muda o humor de maneira inesperada, apresentando explosões de irritação/agressividade?
  • Tem pesadelos?
  • Tentou fugir?
  • Regressa da escola com as roupas rasgadas ou sujas e com o material escolar danificado?
  • Apresenta desleixo gradual nas tarefas escolares?
  • Apresenta um aspecto contrariado, triste, deprimido, aflito angustiado ou infeliz?
  • Apresenta contusões, feridas, cortes, arranhões ou estragos na roupa?
  • Apresenta desculpas para faltar às aulas?
  • Perdeu o interesse em hobbies e atividades de tempos livres?

Raramente apresenta amigos ou refere apenas um único amigo nas suas partilhas quotidianas?

Pede dinheiro extra à família ou furta?

Apresenta gastos altos na cantina da escola?

Deixou de ter as suas economias (ou estas irem desaparecendo)?

“Perde”, constantemente, o almoço ou outros bens?

A resposta afirmativa a uma destas perguntas não é sinal de que o/a seu/sua filho/a sofre de bullying. Tente criar condições para entender o comportamento do/a seu/sua filho/a.

Muitas vítimas de bullying, por medo ou vergonha, sofrem em silêncio, o que ajuda a perpetuar o bullying. As vítimas hesitam em contar o que estão a sofrer por diversos motivos:

  • Medo de Represálias (os agressores usam muitas vezes a ameaça de violência para impedir as vítimas de contarem a alguém)
  • Medo de aumento e subida em escalada (por ser “queixinhas”)
  • Ignorância (podem não reconhecer que estão a ser vitimadas)
  • Resignação (acreditam que estão a ser gozadas porque realmente há algo de errado com elas)
  • Negação (suportam a situação à espera, contra todas as hipóteses que, se passarem despercebidas e não chamarem sobre elas a atenção, tudo passará)
  • Receios sobre como reagir (medo que ninguém acredite nelas nem as leve a sério)
  • Medo da forma de reagir do adulto.

Mostre apoio incondicional e crie um espaço de confiança para a partilha da situação.

A equipa da OffOn também estará disponível para vocês.

Uma realidade presente mas nem sempre fácil de abordar: Quando um pai e/ou uma mãe é informado/a de que o/a seu/sua filho/a é um/a autor/a de Bullying?

Saiba nesta publicação o que poderá fazer.

Primeiro deverá perceber e aceitar que o/a seu/sua filho/a precisa de ajuda. Não tente ignorar a situação, nem fazer de conta que está tudo bem. Tente manter a calma e controlar a sua própria agressividade ao falar com ele/a, pois assim funcionará como o melhor exemplo de que a violência deve ser sempre evitada. Mostre que sabe o que está a acontecer e que apesar de não aprovar o seu comportamento, a vossa relação e ligação emocional não está em causa. Converse com ele/a e tente saber porque está a agir dessa forma e o que considera que pode ser feito para ajudá-lo/a. Tente identificar algum problema atual que possa estar a desencadear este tipo de comportamentos e havendo algo, deverá ajudá-lo/a na resolução dessa situação. Com o consentimento do/a seu/sua filho/a, entre em contacto com a escola e converse com professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo/a a si a compreender a situação. Passe a dar orientações e limites firmes, capazes de ajudá-lo/a a controlar o seu comportamento. Tente encontrar com o/a seu/sua filho/a formas não agressivas para expressar as suas insatisfações, frustrações ou necessidades não correspondidas. Encoraje-o/a a pedir desculpas ao/à colega que agrediu;  pode ser pessoalmente ou até mesmo por carta. Identifique nele/a as características positivas e destaque-as, pode ser que desta forma melhore auto-estima e o auto-conceita dele/a. Por último, crie situações em que ele/a se possa sair bem, reforçando-o/a sempre que isso ocorrer. Mas acima de tudo, não se culpe. Juntos/as sairão mais fortes desta situação.

Pode contar com a orientação da equipa da OffOn!

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Monica Nogueira Soares

Monica Nogueira Soares

Doutorada em Psicologia na área da conflitualidade e violência em contexto escolar. Mestre em Psicologia pela Universidade do Porto. É membro efetivo da Ordem dos Psicólogos, Especialista em Psicologia da Educação e Psicologia Clínica e da Saúde. Pós-graduada em Psicologia nos Centros de Saúde e em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar. É mediadora de conflitos certificada pelos critérios do Qualifying Assessment Program do International Mediation Institute na área familiar e escolar, tendo uma ampla experiência e formação nestas áreas. É colaboradora do Instituto de Mediação da Universidade Lusófona do Porto, sendo também docente convidada em outras universidades públicas e privadas. Está inscrita na lista de Mediadores de Conflitos Privados da Direção-Geral da Política de Justiça do Ministério da Justiça e é orientadora e supervisora de estágios em mediação de conflitos e em Psicologia. Enquanto formadora, certificada pelo IEFP, pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua e pela Direção Geral da Administração Escolar, tem lecionado diversas formações para docentes e outros públicos-alvo no âmbito das competências relacionais, da gestão e mediação de conflitos. Possui cursos de especialização em perturbações do comportamento alimentar e em mediação familiar. Atua desde 2006 em contexto escolar e formativo, assumindo a coordenação de projectos de mediação escolar.
Monica Nogueira Soares

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